Atividade
“Gestalt-terapia - Diferenças de perspectiva geral e diferenças na terapia”.
Coordenação : Psicólogo Hugo Elidio Rodrigues (CRP 05/21207).
Evento online ABG: 6 de abril de 2026
Discussão do capítulo 2 da obra Gestalt-terapia de Perls, Hefferline e Goodman.
Este roteiro procurará ressaltar os aspectos principais em cada parte do texto contido no capítulo 2, incluindo os comentários do autor . Desta forma, neste roteiro serão contemplados primeiramente os conteúdos expostos no texto e, em seguida, os comentários do autor, quando tais comentários se mostrarem necessários.
Introdução à ideia geral do capítulo 2 :
Como o próprio texto mencionará mais adiante, o método gestáltico sempre considera a contextualização do que está sendo focado, ampliando a conscientização e lidando descritivamente ( “descrição” segundo o método fenomenológico ) com o campo que este contexto apresenta. Respeitando esse método, podemos considerar a importância do contexto histórico na época do lançamento do livro “Gestalt-therapy”. Este livro foi lançado em 1951, menos de 10 anos após o lançamento do livro “Ego, Fome e Agressão” (em 1942, na África do Sul) que, por sua vez , fora lançado em plena segunda guerra mundial. Mesmo para quem conhece a GT, peço que imagine , talvez fazendo um certo esforço, como deve ter sido lançar as ideias gestálticas pela primeira vez ? Como o mundo poderia receber esta nova abordagem ? ? Um mundo que, em 1945, havia acabado de testemunhar o ápice da destrutividade humana, com uma guerra devastadora provocada pelo povo alemão, japonês e italiano, e que culminou na utilização de um tipo de arma que nunca havia sido vista e que simplesmente mudou a história do mundo. A bomba atômica foi disparada pelos EUA em agosto de 1945, contra o Japão, sendo que este , em 1941 havia provocado a entrada dos EUA na segunda guerra, com o ataque à Pearl Harbor. Em Pearl Harbor, estimou-se o número de mortos ao redor de 2400 pessoas, sendo 2300 militares, enquanto que em Hiroshima e Nagasaki juntos, foi estimado um total de 550mil mortos, contando com as mortes pela radiação , após o bombardeio. Agora imaginem como pensadores humanistas devem ter se sentido impactados, e como deve ter sido existencialmente urgente que alguma coisa fosse feita, não só pelo o que aconteceu, mas diante do que vai acontecendo: o início da ameaçadora guerra fria, quando a União Soviética passa a também ter bombas atômicas em 1949 e, em 1951, ano do lançamento do livro “Gestalt-terapia”, o terceiro país anuncia ao mundo que também passou a ter bombas atômicas. No caso, a Inglaterra. Imaginem esse contexto quando efetuarmos nossa discussão de hoje.
Retomando ao livro, comentaremos os aspectos principais em seguida :
1) Pags. 50/51: A mensagem principal é a diferença sobre qual é o foco da proposta gestáltica em contraste com outras abordagens. Em outras abordagens, são focados aspectos previamente determinados, em situações concretas trazidas pelos clientes, como por exemplo, atos-falhos, sonhos, conteúdos sobre libido, arquétipos etc . Nestas páginas 50 e 51 , os autores trazem literalmente que na GT o que é visado é a “... estrutura dinâmica da experiência...”.
Meus comentários :
Para ajudar a entender qual a diferença mencionada, vamos trazer um trecho de um outro livro, o “Escarafunchando Fritz” (1979). Basicamente enquanto outras abordagens tentam realizar um trabalho explicativo sobre a psicologia humana, a GT vem com uma proposta realmente inovadora. Ao invés de focar nos “porquês”, a GT foca em “como” a pessoa se percebe , como a pessoa percebe os outros, como percebe o mundo e o tempo. Foca nesta unidade que é como a pessoa percebe o que percebe, sendo o conteúdo percebido menos importante do que a consciência sobre o próprio modo de perceber. No “Escarafunchando Fritz”, nas páginas 38 e 39, temos o seguinte trecho : “Realidade nada mais é do que a soma das consciências experienciadas aqui e agora. Aparece então a última ciência como a unidade do fenômeno que Husserl descreveu e a descoberta que Ehrenfels (no livro , está escrito errado com “d” no final, um provável erro de digitação) realizou: o fenômeno irredutível de toda consciência, o nome que ele deu ainda hoje nós usamos ; GESTALT”. Como “unidade do fenômeno que Husserl descreveu”, podemos entender a relação da consciência com o que ela intenciona, ou seja, a unidade “consciência percebedora+como algo é percebido” (Husserl, 2001).
2) Pag. 52 : a contribuição da Psicologia da Gestalt e a crítica às limitações do que se descobre nos laboratórios onde eram realizados os experimentos. Essa crítica visa ressaltar que a visão cientificista exclui um dado que é óbvio : o interesse do experimentador.
Meus comentários:
O texto já traz um dado imediato que marca a diferença do método gestáltico: a inclusão do “óbvio”. O óbvio (Perls, 1981, pág. 132) é incorporado como uma consequência do foco do trabalho sobre o aqui e agora. Daí, a GT considera que no trabalho terapêutico há uma presença, uma intencionalidade, o olhar do terapeuta e é óbvio que a pessoa do terapeuta se envolve , se afeta. Ao invés de defender uma ilusória atitude de neutralidade, a GT defende a presença, tomando a relação cliente-terapeuta como o foco do que é terapêutico.
Voltando ao contexto histórico, essa pretensa neutralidade científica precisava ser combatida, e temos como exemplo histórico a célebre frase do engenheiro Von Braun, inventor dos mísseis V-2, usados em 1944 pela Alemanha para bombardear Londres, durante a segunda guerra. Após a morte de civis, Von Braum fala que o “o foguete funcionou perfeitamente...” O cientista só considerando o que queria considerar, não percebendo o contexto total e o que foi provocado.
Temos outro importante exemplo histórico que nos ajuda a questionar tal neutralidade. No início do século passado, a Inglaterra, por décadas, tinha certeza de ter descoberto o fóssil do “elo perdido” que explicaria a passagem evolucionária do macaco para o ser humano, segundo a teoria darwiniana. Sendo que toda a ossada descoberta era uma fraude ! Este ocorrido foi considerado uma das maiores farsas científicas da história, o “homem de Piltdown”, exposto no Museu de História Natural de Londres, desde sua “descoberta” em 1912 até a revelação da farsa, em 1953 . Os maiores cientistas ingleses só consideraram o que eles preconceituaram, e não viram o óbvio que se mostrava.
A consideração do óbvio nos facilita a entrar em contato com o contexto , com o campo como um todo, que ressalta para nós, além do que é o objeto do estudo, a necessária inclusão do olhar de quem estuda esse objeto, visando entrar em contato com o fenômeno enquanto é percebido no ambiente vivido, e não com ideias predeterminadas.
3) Pags. 53/54 : os autores criticam a visão da consciência passiva, que só recebe, “e não faz nada”, em contraste com a busca de uma awareness criativa, que gera uma conscientização integrada. A GT trabalha com a integração das partes antes não conscientes, tornando-as integradas à pessoa.
Meus comentários :
Podemos neste trecho detectar a coerência da crítica que a GT vem trazendo para a compreensão da Psicologia Humana, implicitamente agora expondo como a influência positivista na ciência, cria a ideia de que a “alma , em sua origem , é uma tabula rasa” , conceito conforme o filósofo inglês, John Locke (Vergez&Huisman, pág. 218). Sendo uma tábula rasa, a consciência é vista como se só fosse uma espécie de receptáculo, que recebe do mundo a experiência, sem interagir com este conteúdo.
4) Pag. 54 à 56 : para ampliar essa consciência integrada , o plano do livro traz luz para a crítica contra a visão dualista (que reduz as percepções a extremos opostos, como bem x mal, céu x inferno etc) culturalmente mantida, em nossa filosofia e história ocidental ( conforme Moore, 1978, capt 1). Visões dualistas sobre:
- corpo x mente: mesmo tendo a psicossomática uma difusão cada vez mais reconhecida, ainda há uma tendência em separar esse unidade.
- self x mundo externo:
Meus comentários :
Nos ajuda para entender esse aspecto, a frase de Sartre (2025, págs. 56 e 57) : “... a consciência não tem “interior”; ela não é nada senão o exterior de si mesma” e “... a necessidade da consciência existir como consciência de outra coisa que não ela mesma, Husserl a chama de “intencionalidade”.
Ou seja, a percepção de si, a percepção como e enquanto é percebida, já é uma exteriorização, já é um estar lançado ao mundo, conforme o termo heideggeriano “Dasein” , ou “ser aí” (Heidegger, 2012, pág. 61).
-emocional (subjetivo) x real (objetivo) :
Meus comentários :
A GT traz a crítica ao pensamento popular sobre a desvalorização do campo afetivo. Sobre isso, comentaremos mais adiante .
- infantil x maduro :
Dicotomia que menospreza o inalcançável polo infantil em detrimento da ilusão do outro polo, o da maturidade, considerado como se fosse um ponto a se chegar, mas que nunca chega, pois o amadurecimento não é um lugar, é um processo.
- Biológico x cultural :
Dicotomia que reduz a biologia à cultura, como se não houvesse um limite em relação ao que é nossa biologia, a favor de tendências culturais que nos iludem como se houvesse uma maleabilidade infinita.
Meus comentários :
Não podemos esquecer do que nos faz mal, do que nos intoxica, do que nos aliena, em função do que é “moda”. Entendo que aqui cabe a interpretação da mensagem dos autores sobre o abuso de medicamentos, cosméticos, ações contra o corpo etc.
- Poesia x prosa : sobre o esvaziamento da linguagem da arte, como se esta estivesse se afastando de uma possibilidade de comunicação, tornando-se “isolada e obscura”, diminuindo seu real poder .
Meus comentários :
Novamente uma dicotomia que menospreza o lado poético, artístico, estético, afetivo, em detrimento de uma linguagem defendida como objetiva, racional e – consequentemente – fria.
- Espontâneo x deliberado : como a espontaneidade vem sendo depreciada em função da valorização do que é o racional, como se a espontaneidade fosse inferior, e a razão mais sóbria. Fazendo com que percamos todas as informações que os sentimentos, enquanto são sentidos, podem nos trazer
Meus comentários :
Talvez aqui , assim como nos tópicos anteriores, da dicotomia poesia x prosa e da dicotomia emocionla x real, acredito que temos uma das mais malévolas consequências do pensamento dualista: a desvalorização dos afetos. O que é sentido (em termos de sentimentos, não de sensações) é preconceituosamente considerado pejorativo, e expresso através de inúmeros ditos populares como “- Hoje você está instável”; “Não ouça sua raiva, você precisa se acalmar!”. Ou ainda, em relação a uma decisão emocional, segue o conselho para “ouvir a voz da razão”, “você precisa pensar melhor sobre o que você está sentindo” (como se um sentimento fosse alcançado pelo caminho do pensamento).
Esta forma de depreciar os afetos é um caminho aberto para as conversões psicossomáticas, pois nunca deixamos de sentir o que se manifesta , porém temos freios para evitar a expressão.
- Pessoal x social : decorrente da dicotomia anterior, forjamos um comportamento cada vez mais individualista , causando a “ruína da vida comunitária”.
Meus comentários :
Neste aspecto, o livro parece quase profético pois, décadas depois de escrito, nos deparamos com um proliferação gigantesca da depressão, muito atribuída ao excesso de individualismo e à solidão, hoje atingindo 5,7% da população mundial, e contribuindo para a ocorrência do suicídio, que é a terceira maior causa de mortes entre jovens de 15 a 29 anos, segundo a OMS ( fonte : https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/depression).
Amor x agressão :
Meus comentários : defendido aqui como a necessária energia agressiva, de demonstração do interesse, como se o sentimento amoroso precisasse ser contido em toda sua potência.
Meus comentários ;
O necessário cuidado com a leitura deste trecho, com os olhos atuais, 75 anos depois . Aqui é importante o sentido da palavra “agressão” ser remetido ao mesmo sentido etimológico dado no livro “Ego, Fome e Agressão “ (2002). No sentido etimológico, agressão tem, além do sentido de “ataque”, também o sentido de “ir em direção, se aproximar de...”. Este trecho sugere mais uma mensagem de incentivo à busca do desejo, do “contato erótico”, sem impedimentos.
Inconsciente x Consciente: que, caso fosse tomado literalmente, a psicoterapia seria inviável, pois como poderia ser feito algo com conteúdos incognoscíveis ? Subestimando recursos como informações provenientes dos sonhos, da alucinação, do jogo e arte e superestimando o discurso deliberado, o pensamento e a introspecção.
Meus comentários :
Neste trecho a proposta do método gestáltico fica um pouco mais nítida, pois ao invés de trabalhar com possibilidades de conteúdos que estariam alienados , fora da fronteira de contato (conceito muito bem trabalhado pelos autores Polster&Polster, 2001, capt. 5), passamos a trabalhar a forma com qual a pessoa lida com a própria fronteira de contato, ou seja, como se conscientiza e, a partir daí, como age se responsabilizando pelos próprios comportamentos que limitam ou dificultam sua qualidade de contato .
Mais um comentário geral, sobre o que o texto até aqui, já deixa mais claro: a utilização pelos autores, do “método socrático” (que será comentado na página 61). Este método é baseado na refutação de algo que esta sendo afirmado, para então propor uma nova forma de compreensão. Ao expor e criticar cada forma de pensamento dualista como foi feito acima, os autores preparam o terreno para facilitar o método gestáltico. Mais uma vez aqui, é importante considerar que esse texto foi apresentado ao mundo em 1951.
A visão dualista provoca inerentemente uma forma reducionista de lidar com o mundo, já que a tendência de pensar somente em “céu x inferno”, “bom x mau” , “homem x mulher”, acarreta a obliteração do que há entre um polo e outro .
Pensando na prática clínica, considerando a contribuição da visão holística (conceito segundo Smuts, 1999), a pessoa ao pensar desta forma, demonstrará comportamentos inerentes a esta visão, detectáveis, por exemplo, através de expressões como “- Comigo é tudo preto no branco”, ou seja,a pessoa não considera outras cores. Expressões como “ - Ou é , ou não é !” , ou seja, não considera a dúvida, o talvez. Expressões como “- Uma vez decidido, não volto atrás ! “ , ou seja, não considera o arrependimento, a possiblidade de mudar de ideia etc. Pensando em termos comportamentais, é o exemplo da pessoa que quando lava os pratos, passa a esponja em uma face, e na outra. Não limpa a borda do prato !
5) Pág. 56:
A GT propõe o “método contextual” .
Meus comentários sobre a ideia principal da defesa do “método contextual” em confronto com as dualidades mencionadas acima:
O pensamento dualista, traz alguns problemas que o texto acima ajuda a evidenciar. Primeiramente, precisamos reconhecer que mesmo o pensamento mais conservador, contendo a maior ilusão de que pode se manter inalterado, ser sempre igual ao que sempre foi, conservando-se e mantendo tudo à sua volta da mesma forma, mesmo um pensamento assim, pela própria evidência de que o tempo não para e o ser humano, ao longo do tempo , também vai mudando, o que percebemos acontecer é que , mesmo tentando só lidar com uma forma reduzida de perceber as coisas, com o tempo, vai surgindo a cronificação desta visão e trazendo um dos grandes problemas da civilização humana. Quando ao invés do já problemático dualismo, a pessoa vai agravando sua limitada percepção, e ao invés dos dois polos do dualismo, a pessoa passa a viver a necessidade de diminuir mais ainda, vivendo um polo só e passando a achar que todo o mundo à sua volta também deveria assim ser. Do dualismo, a pessoa passa para o radicalismo. Como exemplo, o radicalismo em relação à questão de gênero. O homem que radicaliza sua compreensão do que é ser homem, radicaliza para o machismo, não aceitando só a existência de homens e mulheres. O radicalismo faz com que o homem ache que só pode haver um tipo “macho” , impondo a si mesmo esse radical modelo, e consequentemente forçando e estendendo para suas relações a imposição sobre o lugar da mulher submissa. Da mesma forma, em relação à questão política, o radicalismo só enxerga o modelo social com a qual se identifica, lutando para impor tal modelo para toda sociedade. Em todos os casos, tanto o dualismo como o radicalismo, por simplesmente não encontrarem ressonância no mundo compartilhado - já que o mundo se apresenta plural, instável, surpreendente - partem para suas “bolhas”, fomentando entre si as mesmas formas de pensamento que se retroalimentam.
Como trabalhar na terapia, com esse tipo de visão reducionista ? Através do “método contextual” e experimentando o como a pessoa lida com o presente, procurando ampliar a sensibilidade da pessoa para reconhecer a diferença entre o como percebe algo, e o como se lembra de algo . Ou seja, trabalharemos convidando o cliente a se atualizar , agindo mais de acordo com o que percebe, no seu contexto de vida, na situação apresentada em seu campo vivencial, no aqui e agora, através de propostas que permitam, na segurança do ambiente terapêutico, experimentar novas possibilidades.
6) Págs. 58 à 60 :
Como a GT trabalha para a sensibilização do cliente sobre o como age e pensa em seu contexto de vida ? Através de atividades criativas, como a arte, experimentadas durante os encontros terapêuticos, que visam a “... integração sensório-motora, a aceitação do impulso e o contato atento com o material ambiental novo...” e “... quanto mais espontaneamente exercer todo poder de orientação e manipulação , sem nos conter, tanto mais viável provará ser essa recriação (da realidade)”...”.
Meus comentários :
Durante o encontro terapêutico, quando um experimento é proposto, com a liberdade de se trabalhar com o que surge, além da proposta do experimento em si, o próprio modo do terapeuta também se arriscar a viver algo novo com o seu cliente, se abrir ao inesperado, ao imprevisível, também traz uma mensagem indireta para um convite à atualização. Assim, a proposta do experimento na GT funciona terapeuticamente de forma dupla, pois não só o que está sendo proposto é terapêutico, mas também a forma do terapeuta se expor ao desconhecido e lidar com o seu próprio não saber, também se torna uma potente mensagem para o cliente, de um novo “poder ser”. Este novo “poder ser” necessariamente é algo que, pelo método gestáltico, não advém de teorias preconcebidas por parte do terapeuta, mas sim, vem da própria capacidade , agora vitalizada pelo processo terapêutico, do cliente realizar sua auto-regulação organísmica.
7) Pág. 61 à 64:
Meus comentários :
A partir desta página, em coerência com a dialética socrática, quando aquilo que foi criticado no início do capítulo foi mostrado, agora chega-se então ao momento quando , da crítica, se apresenta uma nova visão. Os autores elencaram 6 aspectos principais sobre a forma gestáltica de trabalho terapêutico.
a) O trabalho terapêutico não é algo que o terapeuta fará pelo cliente, mas será algo que o próprio cliente fará por ele, “aprendendo ... a alcançar um nível determinado na técnica de awareness de si próprio... pois aqui, como em todo outro campo da medicina, natura sanat non medicus apenas nós mesmos (no ambiente) é que podemos nos curar”.
b) O que é vivido no próprio ambiente terapêutico estimula o cliente para estender sua experiência para outros ambientes.
c) O que o cliente poderia apresentar como um comportamento defensivo, resistente, ao invés de um trabalho que visasse liquidar tais comportamentos, a GT trabalhará sobre a própria conscientização de como tais comportamentos foram criados e, a partir deste convite à experimentação, o que surge em termos de lembranças, sentimentos pertinentes, reações corporais etc, na relação terapêutica, são atualizados e direcionados para se explorar possibilidade de resolução.
d) Manter as resistências e modos de repressão acarretam um grande gasto de energia. Durante o criativo processo terapêutico, essa energia é contatada, torna-se mais sensível e consciente para o cliente, podendo agora, com ela, se revitalizar para realizar diferentes escolhas.
e) Em função do que já foi dito acima, o que o cliente vive, suas dores, tristezas, etc não é evitado, mas sim conscientizado, sendo o terapeuta a pessoa que facilitará o trabalho de contato com esse material, não tomando para si a responsabilidade que é do cliente, pois é ele quem decidirá o que fazer com o que aparece.
f) Concluindo, a proposta da Gt visa a conscientização de como o cliente se trata, como se percebe agindo ou se omitindo, escolhendo, se defendendo ou resistindo. Com isso, o cliente percebe a responsabilidade que tem para com a sua própria vida e descobrindo que, o que ele precisa para realizar melhores escolhas, é algo que sempre esteve nele o tempo todo. A GT só ajuda o cliente a reconhecer como ele faz para se “atrapalhar” e não acessar sua plenitude existencial.
Muito obrigado !
Hugo Elidio Rodrigues
Instituto de Psicologia Gestalt em Figura Ltda – Rio de Janeiro
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Bibliografia :
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Perls, Frederick Salomon(1893/1970); Hefferline, Ralph (1910/1974); Goodman, Paul (1911/1972). “Gestalt-terapia”. São Paulo: Summus, 1997.
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Polster, Erving (1922/2018) & Polster, Miriam (1924/2001). “Gestalt-terapia integrada”. São Paulo: Summus, 2001
Sartre, Jean- Paul (1905/1980) . “Situações I – Críticas literárias”. São Paulo: Cosac Naify, 2005. Especialmente o capítulo 4 “Uma ideia fundamental da Fenomenologia de Husserl : a intencionalidade”.
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Vergez, André (1930/2007) & Huisman, Denis (1929/2024). “História dos filósofos ilustrada pelos textos”. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1988.